Mortos em protestos na Líbia somam 104; médicos falam em 200

Onda de RevoltasPelo menos 104 pessoas já morreram na Líbia desde o início da mobilização popular contra o regime do ditador Muammar Gaddafi, na última terça-feira, afirmou neste domingo a organização Human Rights Watch, citando fontes médicas e testemunhas.

"Nosso investigador na Líbia confirmou que há pelo menos 104 mortos", declarou o director do escritório da HRW em Londres, Tom Porteous, por telefone. "Entretanto, esta é uma fotografia incompleta da situação, já que as comunicações com a Líbia são muito difíceis".

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Tememos "que uma catástrofe esteja ocorrendo em matéria de direitos humanos", acrescentou. Neste domingo, relatos apontam que centenas de manifestantes voltaram a se reunir, no edifício do tribunal de Benghazi.

Um médico na cidade de Benghazi afirmou à Associated Press que viu pelo menos 200 corpos de manifestantes mortos pelas forças de segurança de Gadaffi nos últimos dias. O oficial falou em condição de anonimato por medo de represálias.

Testumunhas afirmam que uma mistura de soldados de elite, mercenários estrangeiros e apoiadores de Gaddafi atacaram os manifestantes no sábado com facas, rifles e armas de fogo mais pesadas. Os protestantes marchavam em luto pela morte de outras 35 pessoas causada pelos ataques das forças de segurança na sexya-feira.

Benghazi vem sendo o centro da revolta dos líbios contra o ditador, que está há 42 anos no poder. O movimento, que já dura seis dias, foi inspirado pela queda dos governantes no Egito e na Tunísia.

O médico ouvido pela AP afirmou que o hospital, um dos dois de Benghazi --a segunda maior cidade do país, está sem suprimentos e não pode tratar os mais de 70 feridos que foram atingidos nos ataques e precisam de cuidados.

"Eu estou chorando", o médico afirmou. "Por que ninguém está ouvindo?"

Um morador da cidade disse que as forças de segurança estavam confinadas em um Centro de Comando, de onde atiradores disparavam contra manifestantes em Benghazi, que fica a mil quilômetros a leste da capital, onde o apoio a Gaddafi é tradicionalmente menor do que no restante do país.

"Eles mataram três manifestantes daquele prédio hoje", declarou a testemunha, que não quis se identificar, à Reuters. "No momento, a única presença militar em Benghazi está confinada ao Comando Central da cidade. O restante da cidade está liberado", disse.

"Não há escassez de comida, embora nem todas as lojas estejam abertas. Os bancos estão fechados. Todos os escritórios do comitê revolucionário (governo local) e delegacias de polícia da cidade foram queimados", afirmou.

O relato não pode ser confirmado de forma independente. Uma fonte do aparato de segurança ofereceu uma versão diferente, dizendo que a situação na região de Benghazi está "80% sob controle".

O governo não divulgou nenhuma cifra de vítimas nem fez comentários oficiais sobre a violência.

Conseguir detalhes concretos sobre os protestos na Líbia vem sendo difícil porque os jornalistas não podem trabalhar livremente no país. Informações sobre a revolta chegam por entrevistas pelo telefone, junto com vídeos e mensagens postados na internet, e também por meio de ativistas da oposição exilados do país.

A norte-americana Arbor Networks relatou mais um corte no serviço de internet da Líbia por volta de meia-noite deste domingo (horário local). A companhia afirma que o tráfego de dados no país, que cessou por volta das 2h da manhã de sábado, foi retomado em níveis mais baixos diversas horas mais tarde, apenas para ser cortado de novo nesta noite.

A população afirma ainda que não consegue mais fazer ligações telefônicas de suas linhas fixas.

Longe da região sul, a Líbia parecia calma. Na Praça Verde, no centro de Trípoli, próximo da antiga cidade murada, centenas de pessoas se reuniram portando fotos de Gaddafi e entoando "Nosso líder revolucionário!" e "Seguimos o seu caminho", relatou um repórter da Reuters.

Um jornal estatal disse que a violência é parte dos "plano sujos e das conspirações concebidas pela América e pelo sionismo e pelos traidores do Ocidente".

Observadores da Líbia dizem que uma revolta no estilo do Egito é improvável, porque Gaddafi tem dinheiro do petróleo para aliviar os problemas sociais, e ainda é respeitado em grande parte do país.

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