É tempo de pesquisar


Primeira Mostra Tecnológica e Científica da E.E.E.M Cav. Aristides Germani


As escolas estaduais de Caxias do Sul estão aprendendo a lidar com o novo ensino médio na prática.

Implantado em 2012 nos primeiros anos, o chamado ensino médio politécnico ainda gera dúvidas. Todos os colégios já seguem as mudanças, mesmo com as incertezas.

As principais transformações foram a inclusão de uma nova disciplina, a de Seminário Integrado, e a ampliação da carga horária em 200 horas a cada ano.

A reestruturação curricular avança para os segundos anos em 2013 e terceiros em 2014.

O objetivo da alteração é deter o índice de evasão e reprovação escolar.

A nova disciplina não tem um plano de estudo. O plano é o que guia os professores sobre quais conteúdos eles devem repassar aos alunos.

As primeiras informações recebidas pelas escolas estaduais sobre o Seminário Integrado foram vagas. Em tese, na nova disciplina, o estudante aprenderá a pesquisar. As aulas são presenciais e a distância.

Os professores da Escola Cavalheiro Aristides Germani desenvolvem a nova disciplina na intuição. Mesmo assim, estão obtendo bons resultados. No sábado, 98 trabalhos produzidos pelos estudantes no primeiro semestre de aula foram apresentados durante a 1ª Mostra Tecnológica e Científica da escola.

Da cabeça dos alunos, orientados pelos professores, sugiram pesquisas inusitadas: carregador de celular movido a caminhadas (dispositivo fica dentro de um tênis e é carregado pela energia produzida pelo movimento), caneca que se mantém aquecida por um microprocessador e óleo de cozinha usado, sacola biodegradável de fibra de coco, limpador de vaso sanitário, repositor de papel higiênico, entre outras inovações tecnológicas.

Também pesquisaram o comportamento humano, como por exemplo, como se portam os passageiros do transporte coletivo e sobre a homofobia na cidade.

A escola foi além da determinação da Secretaria da Educação do Estado: não só os primeiros anos estão pesquisando. Os segundos e terceiros também, embora não dentro da nova disciplina.

A proposta é integrar as áreas de ensino e estimular a autonomia, conforme a professora Jane Lazzari. Segundo a professora Izequiela Franceschet, os alunos foram avaliados pela apresentação oral, os diários de campo, a pasta bibliográfica, o relatório final da pesquisa, a inovação, a aplicabilidade, entre outros aspectos. Mas nota mesmo eles ainda não têm, porque há dúvidas de como ocorrerá esse processo.

No segundo semestre, os alunos devem continuar pesquisando: aprimorando seus inventos ou elaborando novos.

Nas próximas aulas, a professora Andréa de Oliveira vai pedir que os estudantes preparem um relatório com os pontos positivos e negativos da mostra.

Aluna do 1º ano, Leila Matté, 14 anos, saiu atrás de informações no primeiro semestre sobre o riso, com o colega Bruno Scapinelli, 16. Nos materiais de três bibliotecas, nos livros de medicina e na internet, eles aprenderam que o excesso ou a falta dele trazem benefícios e malefícios. Leila está empolgada com a nova disciplina e não se importa de, na terça-feira, ter aula também das 18h às 21h.

— É bom para a gente aprender mais, para a nossa vida.

Luciane Silva, 16, do 2º ano, com as amigas Nicole Ost e Paola Roxa, decidiram pesquisar sobre a homofobia. Abordaram 50 pessoas na rua para que elas respondessem a um questionário sobre o assunto. Encontraram 40 heterossexuais e 10 homossexuais. E gente que negou ser homofóbico, embora tenha afirmado que não entraria em algum recinto se houvesse um homossexual ali.

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